segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

 ESOTERISMO NO FILME FANTASIA (1940) DE DISNEY

   O longa metragem Fantasia de 1940 de Disney apresentava características peculiares em relação aos filmes de Disney. "Branca de Neve" de 1937 havia causado enorme sensação principalmente por ser o primeiro longa metragem de animação totalmente colorido (Hitler havia de fato assistido e adorou o filme!) e também quase levou o estúdio Disney a falência devido aos enormes custos de produção. "Pinocchio" de 1940 também foi muito celebrado e seguia o estilo "contos de fadas" que Disney soube apresentar tão bem em suas animações. Mas "Fantasia" era totalmente diferente disso. Segundo se diz, Disney estava jantando tarde da noite em um restaurante notou outra pessoa que jantava sozinha era o regente de música clássica Leopold Stokowski (1882-1977) Disney resolveu se juntar a ele na mesa. Durante a conversa Disney falou sobre uma animação de Mickey fazendo o papel de "aprendiz de feiticeiro" e que essa animação faria parte de Silly Symphonies que são as animações curtas lançadas ao longo de vários anos pela Disney. Stokowski se ofereceu para reger a gravação de graça e também sugeriu para que ele criasse um longa metragem que apresentasse várias obras de música clássica "uma fantasia". Assim surgiu a ideia do longa "Fantasia" que é composto de 8 sequencias animadas cada qual regido por uma composição de música clássica. Até então nada de mais, entretanto, como muitos estudiosos das obras Disney notaram, suas animações estavam recheadas de referências esotéricas ou ocultistas. A sequencia do "aprendiz de feiticeiro" se destaca por sua obviedade mas as obras Disney como um todo estão repletas de referências ocultas que passam despercebidas pela maioria do público que apenas acredita que são apenas desenhos animados, coisa "de criança". Veja um comentário do autor da biografia "Walt Disney-O Príncipe Sombrio de Hollywood" sobre esse lado oculto das obras que o próprio Disney se recusava a admitir que existia:

 

   "(Disney) Costumava taxar de 'asneiras' o que um crescente número de críticos cinematográficos sérios passaram a sugerir, isto é, a existência de um lado sombrio nos filmes Disney que não só lhes aprofundava o significado, como também os identificava como algo mais que um mero cartum para crianças."

 

   O conceito de um aprendiz de feiticeiro, ainda inexperiente, que usa as artes do mestre e acaba se dando mal é bastante genérico e comum, aparece em diversas narrativas. Uma dessas narrativas é um poema do escritor alemão Goethe de 1797, embora não seja essa a principal referência de Disney. Vamos avaliar então em termos gerais algumas referências ocultas em Fantasia.

   Primeiro, o mago 'mestre' de Mickey se chama Yen-Sid, que nada mais é que Disney de trás pra frente (diferentes arranjos de letras para formar novas palavras é típico da cabala):


    Yen-Sid faz uma evocação. Depois deixa seu chapéu na mesa e sai:

  

    Mickey que trabalha como assistente se aproveita que Yen-Sid deixou o chapéu dele ali e pega seu chapéu colocando-o na cabeça e depois abre seu livro de magia e ordena para que uma vassoura encha baldes de água e traga para dentro:


  Porém, Mickey acaba dormindo enquanto a vassoura não para de trazer água:




   Quando acorda e percebe que o local está inundado Mickey tenta cortar a vassoura, mas ela se divide em duas e continua a trazer água. Apenas depois que o mago Yen-Sid chega ele consegue desfazer o feitiço e pega seu chapéu de volta:


   Alguns críticos chegam a comentar que a figura alta de Yen-Sid pode ser de alguma forma baseada no pai de Disney, Elias que de fato era muito abusivo e autoritário na infância de Disney, ele obrigava os filhos a fazer os trabalhos na fazenda e batia muito nos filhos crianças.

   No desenho Mickey pegou o chapéu do mago, porém poderia ter pegado outro objeto ou indumentária que representasse sua autoridade como o "cetro" ou "bastão" tradicionalmente usado na magia cerimonial e que é aludido na "varinha mágica" em vários contos de fadas. 

   A narrativa que certamente serviu de referência é uma história feita pelo escritor da Roma Antiga Luciano de Samósata (125-181 d.C.). Nessa história um homem chamado Eucrates viajou ao Egito para descobrir certos mistérios. Primeiro ele foi conferir as estátuas de Menmon que emitiam um som semelhante a vozes humanas. Depois, viajando de barco para o norte conheceu um mago egípcio. Eucates notou que quando o mago precisava realizar alguma tarefa braçal ele colocava uma peça de roupa em algum pedaço de pau, pilão ou vassoura e pronunciava uma "palavra mágica" (composta de três sílabas). Depois que o objeto cumpria sua tarefa, o mago pronunciava mais uma palavra e o objeto tornava a ser inanimado. Eucrates tentou persuadir o mago a lhe ensinar essa técnica mas ele se recusou. Um dia quando o mago foi realizar esse feito Eucrates se escondeu para ouvir as palavras mágicas. Depois que o mago saiu, Eucrates quis realizar o mesmo feito e colocou a roupa em um pilão e pronunciou as palavras. O pilão ganhou vida e foi trazer água. Mas ele não parava de trazer água até a casa se inundar e Eucrates não conseguia fazê-lo parar. Felizmente o mago chegou a tempo e pronunciou as palavras para fazer o pilão voltar ao normal. Essa narrativa apresenta um importante tema da "palavra mágica" e de fato existe toda uma escola cabalística dedicada a esse tema. O famoso místico Baal Shem Tov (1700-1760) cujo verdadeiro nome era Israel Ben Eliezer tornou-se líder de um grupo esotérico cabalista judeu que era especialista no domínio dos "nomes divinos" por isso recebeu o apelido de "Baal Shem Tov" que quer dizer "senhor do nome" em hebraico. 

   Outro elemento obscuro em Fantasia era a sequência que vem após essa do "aprendiz de feiticeiro" essa sequência tem a intenção de mostrar como se fosse a evolução dos animais desde os micróbios, passando pelos seres marinhos até os dinossauros. Mas a música que acompanha essa sequência é "A Sagração da Primavera" de Igor Stravinsky (1882-1971). Essa é uma composição que visava representar um costume pagão eslavo de uma menina virgem que dançaria antes de ser sacrificada para o deus da primavera. Disney estava interessado na música clássica, mas aparentemente não sabia desse pano de fundo pagão e macabro da composição. 

   A penúltima e mais sombria das 8 sequências de histórias é regida pela música "Uma Noite No Monte Calvo" também chamado de "Noite de São João no Monte Calvo" de Modest Mussorgsky (1839-1881). A música é baseada no famoso "sabbat" das bruxas quando elas se reúnem com o deus do mal Chernobog em uma montanha na véspera de São João. Chernobog é retratado como um tipo de gárgula abrindo suas asas e regendo as almas no inferno. Esse sabá só termina quando soa as primeiras batidas dos sinos da igreja do amanhecer ao som de "Ave Maria" de Franz Schubert (1797-1828):


   A composição musical de Mussorgsky baseado no sabá das bruxas é apropriadamente chamado de noite de São João por que o dia de São João no hemisfério norte (24 de junho) acontece o solstício de verão e a virada da estação de primavera para verão. Diz-se que essa representação de Chernobog está acontecendo no Halloween quando ele na animação lança suas sombras sobre um vilarejo, entretanto, apesar do Halloween ser comemorado no dia 31 de outubro, de fato, existem não apena esse Halloween, existem 4 halloweens, pois, cada mudança de uma das 4 estações é um halloween e durante essas viradas de estações as bruxas e benandantis se confrontam no plano astral. Eu escrevi sobre a tradição dos benandanti na edição #5 da revista OCCULT POP ZINE quem tem interesse assine pedindo pelo e-mail: ricardodias7occultpop@gmail.com .Além disso, Chernobog não é o equivalente ao Diabo ou Satã, ele é uma divindade da tradição eslava que representa todo mal e na tradição pagã eslava ele rege o tempo que vai do solstício de inverno até o solstício de verão quando a divindade do bem Belbog assume a regência. Por essa perspectiva, Chernobog representa o "mal cósmico" necessário para o equilíbrio do universo, assim como o Set da mitologia egípcia. 

   Para encerrar, existem de fato inúmeras referências esotéricas ou ocultistas nas animações de Disney e daria o trabalho de um livro inteiro para quem deseja pesquisar, nessa postagem eu quis registrar apenas o que há de esoterismo em Fantasia.



 

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