domingo, 24 de dezembro de 2017

OCULTISMO  NO  JOGO  YU-GI-OH

   Olá a todos! Nesse post vou analisar alguns elementos de ocultismo presentes no jogo Yu-gi-oh.
   Yu-gi-oh começou como um mangá criado por Kazuki Takahashi em 1996. Alguns anos depois foi produzido o anime e em seguida o jogo estilo TCG (iniciais de "trading card game" jogo de cartas colecionáveis) que foi um grande sucesso tendo vendido mais de 22 bilhões de cartas no mundo todo! Nessa resenha não vou falar sobre a história do mangá ou anime e recomendo aos que não conhecem darem uma olhada nos episódios (pessoalmente eu acho muito legal o anime!) vou me focar no jogo em si, na dinâmica de uma partida e nos elementos de ocultismo ali presentes.
   Pra quem não conhece, jogos estilo TCG são diferentes de outros jogos onde se usa cartas como o baralho comum de 52 cartas divididas em quatro naipes mais duas cartas representando Coringa. O primeiro baralho de jogo estilo TCG foi o "Magic The Gathering" criado em 1993 por Richard Garfield. O jogo ainda é fabricado e jogado até hoje em dia. 
   Sobre a jogabilidade de Yu-gi-oh, primeiramente os jogadores devem montar seus baralhos, o mínimo de cartas a compor um baralho é 40 mas os jogadores podem incluir mais algumas embora se recomende não exceder muito esse número. As cartas são divididas em três tipos básicos: cartas de monstros, cartas de magia e cartas de armadilha. Cada jogador começa com 8000 pontos de vida, vence quem conseguir zerar os pontos de vida do adversário, para calcular isso os jogadores costumam usar calculadoras nas quais colocam o número 8000 e depois vão diminuindo conforme o jogo se desenrola. O campo onde se desenrola o jogo é assim:
   É tão simples que pode ser improvisado pelos próprios jogadores com cartolina. Nele há o local onde o baralho de cada jogador deve ficar, uma área para cartas de armadilha, uma área para as cartas tipo monstro e o "cemitério" onde vão as cartas já usadas de magia e de monstros derrotados. A diminuição nos pontos de vida ocorre quando a carta de monstro de um jogador ataca o monstro de outro com poder mais fraco e o dano é calculado e diminuído dos pontos de vida. 
   O design dos monstros das cartas se baseia em criaturas de fantasia, personagens típicos de jogos RPG como guerreiros, magos e dragões. Alguns devem se lembrar de uma certa polêmica de uns anos atrás quando no programa de tv do Gilberto Barros se acusou o jogo de ser "coisa do demônio" (foi bem vergonha alheia! ha ha ha!). Muitas cartas de monstros realmente são demônios, são seres elementais para serem evocados não vejo nada de mau nisso pois é apenas o jogo para jogar e se divertir não um "ritual cerimonial" completo. Cartas de demônios:

  
   As cartas possuem numerações mostrando a força delas. Monstros fracos podem ser colocados em campo (invocados) sem nenhuma outra exigência, mas, monstros mais fortes exigem uma ou duas cartas para serem sacrificadas para poderem ser postas em campo. O dispositivo de exigir sacrifícios para ter mais poder e vantagens aparece em vários momentos ao longo do jogo, existem até cartas de magia específicas e que exigem sacrifícios de cartas específicas, veja algumas delas:



   O conceito de que é necessário sacrificar algo para se obter alguma vantagem e que quanto mais caro, valioso e significativo for o objeto sacrificado maior é a vantagem obtida está presente no subconsciente da humanidade a milhares de anos. Rituais de sacrifício fizeram no passado parte de antigas religiões e alguns ainda fazem hoje em dia, em muitos aspectos é difícil fazer uma distinção clara entre religião e magia o que separa as duas coisas é uma fina membrana, afinal, ter que se submeter a uma "divindade superior" lhe prestar culto, fazer rituais e se abster de certas coisas para obter alguma vantagem dessa divindade é um tipo de magia: faça sacrifícios e sua alma vai para o céu ou faça sacrifícios e seus pecados serão redimidos, faça sacrifícios e a "divindade" curará sua doença ou lhe tornará mais rico. As religiões monoteístas tendem a considerar a si mesmas cada qual como a única religião verdadeira e chamam as outras de tradições pagãs, primitivas, bárbaras e superstição. Porém, o conceito de sacrifício é tão presente no subconsciente do ser humano que é simplesmente impossível ele se livrar disso. Alguns exemplos: dentro do judaísmo (considerada a base de outras religiões monoteístas como o cristianismo e o islamismo) ainda existe um ritual de sacrifício chamado kapparot em que os adeptos sacrificam uma galinha ou galo branco para expiar os pecados. Não raro os adeptos dão um passeio com os animais pelas ruas antes de abatê-los, pois, na antiguidade era costume nos rituais de sacrifício de animais passear com o animal e deixá-lo calmo antes de abatê-lo. Uma adepta judia passeando com sua vítima antes do abate:
   Um adepto judeu com sua galinha para abater e "expiar seus pecados":
   Os muçulmanos celebram até hoje um festival chamado Eid al-Adha em que sacrificam animais, mas, nesse caso a intenção é se lembrar da disposição de Abraão de sacrificar seu filho Ismael (na tradição muçulmana se considera que Deus ordenou a Abraão sacrificar seu filho Ismael para testar sua fé diferente da Bíblia que narra que Deus mandou sacrificar Isaac). O ritual muçulmano:
   Até mesmo no hinduísmo onde as vacas são consideradas sagradas e a maioria dos adeptos simplesmente não come nenhum tipo de carne existe um rital onde se sacrifica vários animais para a deusa Gandhimai para obter sorte e prosperidade. Autoridades da Índia costumam fazer vista grossa contra tal prática mas ainda é realizada no norte da Índia e no Nepal:

   Quanto a "magia" que aparece no jogo, encontramos muitos símbolos que fazem referência como cartas mostrando "livros de magia" conhecidos aqui no ocidente como "grimórios":
   E também encontramos no jogo cartas com variações de pentagramas e hexagramas, imagens de figuras geométricas envoltas em círculos com inscrições em caracteres fictícios (no filme "Dr Strange" aparecem algumas figuras assim):

   Círculos com caracteres estranhos talvez seja referência aos círculos da magia cerimonial. Um símbolo em especial aparece no jogo e embora outros no passado tenham possivelmente desenhado ele, seu uso como elemento de algum significado mágico foi feito por Aleister Crowley, é o chamado "hexagrama unicursal" é chamado assim porque tem seis pontas mas pode ser traçado de modo unicursal sem necessidade de parar o traçado:

   Esse símbolo costuma ser usado por adeptos da Thelema (grupo esotérico que existe até hoje e cujos ensinamentos são baseados nos de Aleister Crowley). Esse símbolo também aparece no seriado Sobrenatural especificamente na oitava temporada onde é o símbolo da fictícia sociedade chamada "Homens de Letras". No jogo Yu-gi-oh esse símbolo aparece no centro de um círculo e rodeado de carácteres onde é chamado de "lacre de orichalcos", a carta:
   A palavra "orichalcos" vem da palavra "oricalco" que é mencionada pelo filósofo da Grécia Antiga Platão em seu livro "Crítias" onde ele diz que oricalco era o nome de um metal usado no antigo continente de Atlântida. Já os carácteres que foram desenhados em torno dessa carta são alguns dos carácteres da "língua enoquiana" trazida pelo ocultista inglês da renascença John Dee. Como se pode perceber, os produtores do jogo se apropriaram de símbolos de origens diferentes. 
   No anime existe o chamado "domínio das trevas" é uma outra dimensão onde os monstros invocados através das cartas são reais e os danos causados aos pontos de vida são sentidos no corpo dos jogadores. Nesse caso é possível que os produtores tenham se baseado no chamado "plano astral" onde as entidades espirituais independentes ou projetadas pela mente dos ocultistas vivem e interagem. 
   Concluindo, alguns conceitos de ocultismo foram adaptados para o jogo, entretanto, nada que sirva para um verdadeiro adepto, apenas o simbolismo foi usado. 
        

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

RESENHA DE SÉRIES-1

   Olá pessoal! Nesse post vou abordar alguns elementos de ocultismo que aparecem na série "Salem".
   "Salem" é uma série norte americana que estreou na tv WGN em 2014. Foi baseada na onda de caça ás bruxas real que ocorreu na cidade de Salem estado americano de Massachussets em 1692. Muita informação "por alto", ou seja sem embasamento e distorcida circula por aí a respeito desse acontecimento real. Boa parte dos comentadores diz que aquilo nada mais foi do que uma "histeria em massa" baseada em pura supertição e puritanismo. E um dos fundamentos usados pelos que perseguiram e condenaram as supostas bruxas naquela época foi o "Malleus Maleficarum" o Martelo das Feiticeiras um tipo de manual para se identificar bruxas escrito pelos inquisidores dominicanos Henrich Kraemer e James Sprenger em 1486 (a maior parte feito por Kraemer, Sprenger participou mais como secretário e organizador do livro). Tempos atrás eu via apenas os piores comentários a respeito desse livro, que ele seria de conteúdo misógino (contra as mulheres) e puramente superticioso servindo apenas para que os agentes da inquisição na época pudessem dar vazão a suas brutalidades. Entretanto, nada como ter acesso ao conteúdo verdadeiro para poder tirar minhas próprias conclusões. Não é um livro misógino e tem fundamento. É importante esclarecer que a Inquisição surgiu na França no séc. XII principalmente para combater grupos religiosos que tinham ideias divergentes do que era considerado oficial pela Igreja Católica. Para entender bem o Malleus Maleficarum é interessante conhecer o "Manual dos Inquisidores" escrito por Nicolau Eymerich em 1376. O objetivo principal da Inquisição era identificar os "hereges" (indivíduos que pensavam ou agiam fora do que era considerado de acordo pela Igreja Católica), forçá-los a se confessarem como hereges, forçá-los a confessarem suas ações "inapropriadas", a se submeterem a Igreja e executá-los. Era mais provável que quem fosse pego fosse executado mesmo se confessasse do que liberto. Claro que houve muito exagero ao longo dos séculos, muitos inocentes foram mortos, mas também muitos que realmente causavam todo tipo de males ás pessoas através de suas práticas ocultas mereceram a execução que tiveram. 
   Sobre o caso de Salem em 1692, tudo começou quando uma escrava negra chamada Tituba contou várias histórias relacionadas a práticas do oculto tradicionais da África Ocidental para duas amigas Betty Parris e Abigail Williams. Á noite elas tiveram pesadelos e um médico foi chamado declarando que elas tinham sido "enfeitiçadas". Tituba foi levada ao tribunal, julgada pelo juiz Samuel Sewall e acusada pelo pregador Cotton Matter. A princípio ela negou, mas depois admitiu que conhecia de bruxaria acusando outras duas mulheres. Assim começou uma onda de perseguições que durou um ano inteiro na cidade. Vamos explicar o que há de fundamento nessa história toda. A wikipedia diz que a escrava Tituba contou "histórias vudu" para as amigas e que isso seria uma religião tradicional da África Ocidental. Essa não é uma explicação coerente. O chamado "vudu" (cujo estereótipo que perpetuou no subconsciente da maioria das pessoas é aquele bonequinho representando a vítima sendo espetado com alfinetes para atingi-la, técnica que é conhecida formalmente como "magia simpática") acabou sendo considerado um nome que engloba várias práticas mágico/religiosas que possuem adeptos em várias regiões como Nova Orleans nos EUA e Caribe. Em países da América Latina falantes do espanhol tais práticas costumam serem chamadas de "santeria". No Brasil aquilo que é chamado de umbanda e candoblé são consideradas tradições mágico/religiosas de origem africana também. Porém, o fato é que essas práticas tal como se apresentam hoje em dia na verdade são um pequeno fragmento de tradições africanas muito mais profundas e antigas. A maioria das pessoas tende a acreditar que as práticas de ocultismo da África são primitivas, superticiosas, e que não funcionam. A verdade é que tais práticas em sua raiz são praticamente desconhecidas aqui no Ocidente e se mantém preservadas em grupos mais ou menos fechados em todo continente africano mas notadamente na África Ocidental. No livro "Magia Oriental" de Idries Shah o autor fez uma viagem em meados dos anos 60 para essas regiões pesquisar sobre o tema e até encontrou nativos dispostos a ensiná-lo alguma coisa sobre isso, essas práticas são realmente pouco conhecidas aqui no Ocidente, talvez sejam um dos últimos "sistemas mágicos" que ainda permanecem fechados ou pelo menos restritos para o resto do mundo. Tais técnicas envolvem contato com espíritos, uso de plantas e vegetais (técnica conhecida como "magia natural" como apresentado na primeira parte dos "Três Livros de Filosofia Oculta" de Agrippa) viagens e projeções astrais como praticado pelos chamados "shamans" indígenas de praticamente todos continentes. Em algumas histórias de "Solomon Kane" escritas por Robert. E. Howard (o mesmo que criou as histórias de Conan o Bárbaro) o personagem Solomon Kane passa pela África e tem ajuda de um mago africano chamado vulgarmente de "feiticeiro vudu" e "feiticeiro ju-ju" chamado N'Longa que é capaz de projetar sua alma para outros corpos (técnica geralmente atribuída a shamans e monges do Tibet). Na versão das Mil e Uma Noites traduzida diretamente do árabe para o português por Mamede Mustafá Jarouche, especificamente na história do Aladdim, o vilão que pretende enganar Aladdim para que esse dê a lâmpada para ele é um "feiticeiro magrebino" ou seja: oriundo do Magrebe, como era chamado antigamente a região da África Ocidental. Portanto, como o leitor pode perceber há realmente uma antiga e pouco conhecida tradição mágica nessa região e essas histórias acabaram impressionando demais as mulheres que ouviram elas da Tituba por isso tiveram pesadelos.Quando levada a julgamento por bruxaria Tituba negou a princípio, depois admitiu que conhecia algo sobre o assunto e ainda acusou outras mulheres de serem praticantes. Assim esclarecendo, vamos analisar especificamente os elementos do oculto presentes no seriado. Esse é o poster da primeira temporada:
   No seriado, o pregador Coton Mather (interpretado por Seth Gabel) encarregado de perseguir as bruxas da região descobre que elas estavam querendo realizar um rito para despertar um objeto chamado Malum que desencadeariam todas as pragas e malefícios sobre a humanidade. Coton não é exatamente um exemplo de puritano, embora trabalhe como pregador e persiga as bruxas da cidade, ele tem uma queda pela bebedeira e prostitutas. Além disso está sofrendo de uma crise de existencialismo e com muito desgosto por que seu pai o ministro puritano Increase Mather que despreza tudo que o filho faz está vindo da Inglaterra para lá. Increase é um sujeito implacável em sua caça ás bruxas, conhece muito bem como elas pensam, como agem, e as técnicas delas. Foi interpretado pelo ator Stephen Lang:

   A bruxa líder do coven da cidade ("coven" é como é chamado um grupo de bruxas e bruxos tradicionais, mais ligados a tradições rurais antigas do que a "magia erudita" o conceito de coven ainda é usado até hoje pelos grupos do movimento denominado wicca) é Mary Sibley (interpretada por Janet Montgomery) foto da personagem:
   Apesar de ser a líder do coven, muitas das técnicas praticadas por Mary são feitas sob orientação de Tituba que foi interpretada por Ashley Madekwe, obviamente como se pode notar ela não é uma atriz exatamente negra, mas isso é lá com os produtores da série:
   Mary deseja saber onde foi escondido o Malum por isso faz uma viagem astral para entrar nos sonhos de John Alden capitão recém saído de uma guerra e amor do passado de Mary. Para realizar a viagem para mente de John Alden, Mary permite que Tituba use uma substância que a iduz ao transe:
              
   Enquanto isso, o navio em que Increase está viajando está parado no mar porque faz mais de dez dias que não sopra nenhum vento. Increase tem certeza que isso acontece por interferência das bruxas que querem impedí-lo de chegar a Salem, ele revista toda tripulação procurando a bruxa. No fim se dá conta que o agente das bruxas responsável por esse fenômeno que detém sua viajem é o capitão do navio e crava suas duas adagas nas mãos do capitão fixando-as na mesa e perguntando a ele onde está o "nó". O capitão que realmente era um agente das bruxas responde com imprecações em uma língua estranha, talvez de origem celta como galês, mas finalmente admite que o nó está em seu pescoço:
   Increase corta o nó que está no pescoço do capitão:

  Imediatamente após o nó ser cortado os ventos voltam a soprar, assim o navio pode continuar viagem. Depois Increase fala algo na mesma língua que o capitão falou e corta a garganta dele. A chamada "maldição do nó" é uma técnica muito antiga na qual o bruxo/bruxa "amarra" uma maldição a cada nó que faz em um cordão assoprando em cada nó e depois esconde a corda. O único jeito de desfazer aquela maldição é o nó ou nós serem desamarrados ou cortados. Uma bruxa judia escondeu uma maldição dessas com o intuito de causar males a Maomé mas ele conseguiu encontrar o cordão escondido em um poço e desfez o nó. Uma alusão a "maldição do nó" aparece no capítulo (sura) 113 do Alcorão chamada "A Alvorada" ("Al-Falaq" em árabe), veja:

"Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso.
Dize: Procuro proteção junto ao Senhor da Alvorada
Contra o mal das criaturas que Ele criou
Contra o mal das trevas quando se estendem
Contra o mal das feiticeiras quando sopram sobre seus nós
Contra o mal do invejoso quando inveja."

   Quando Increase chega em Salém, vai á casa de Mary Sibley porque ela é casada com o prefeito da cidade que é amigo dele. Sob a lareira de Mary tem um quadro retratando uma espécie de "dança pagã" e Increase diz que é uma bela obra de paganismo mas não apropriada para ser exposta ao público, esse é o quadro:
   Increase deseja ver o prefeito mas Mary diz que ele está doente. Na verdade o prefeito está "enfeitiçado" e é apenas um joguete nas mãos dela. Increase deseja "limpar" a cidade e vai direto ao bordel. Lá se dirige a sala da dona do local e nota um pó estranho próximo a uma vela cheirando e dizendo que é raiz de lírio:
   Pessoalmente eu não sei quais são as propriedades da raiz de lírio em pó, mas, naturalmente isso pertence a categoria da "magia natural" que eu já mencionei anteriormente. Increase dirige sua atenção para um lugar acima da lareira, percebe que a madeira é oca e encontra um nicho:
   Esse lugar é o chamado "altar" dentro do paganismo. Alguns adeptos da wicca e do paganismo em geral costumam reservar um espaço da casa para ser um tipo de "altar" onde prestam homenagem a alguma divindade pagã, onde realizam suas práticas ocultas enfim, é como se fosse um lugar onde o adepto canaliza sua energia para suas práticas ocultas. Increase encontra no nicho um tipo de "taça" (muito usada em ritos pagãos pra vários propósitos) e um saquinho com umas pedras:
   O chamado "saquinho das bruxas" costuma conter muitas coisas como tipos de pedras, pedaços de plantas, pedaços de animais e até partes humanas como ossos, cabelos e pedaços de unhas. Também costuma ser usado para vários propósitos dentro do paganismo/wicca. Assim, Icrease tem as provas suficientes que a dona do bordel é uma bruxa e a leva presa para ser excecutada. Os outros membros do coven ficam preocupados se ela vai entregar os outros membros e contar os segredos do grupo, mas ela diz que tomará veneno pra não dizer nada. Um dos membros do coven recomenda ela a acusar outra pessoa fora do coven de ser bruxa para ser executada também. Mary envia um jovem com uma carruagem para levar o prefeito a Boston, mas, a carruagem cai e o rapaz volta a cidade para pedir ajuda. O prefeito consegue pegar uma lasca de madeira e rasgar a barriga para tirar o "demônio familiar" em forma de sapo de Mary que foi colocado nele. Um agente das bruxas oferece um "remédio" para o prefeito que deixa ele desacordado. Tituba chega para terminar o serviço mas Increase consegue levar o prefeito sob seus cuidados afirmando que ele está enfeitiçado. Increase coloca o prefeito deitado na cama de um quarto e põe o rapaz que o levava para tomar conta. Também escreve alguns símbolos ocultos em volta da cama para proteger ele do ataque de outras bruxas, nenhum símbolo muito sofisticado coisas como o "aegishjalmur" e outros simples (mas ele afirma ter feito com as cinzas de bruxas que ele mesmo queimou o que potencializa sem dúvida o efeito). O rapaz é aliciado por Mary e põe uma substância na boca do prefeito que facilita a penetração de Mary na mente dele através de viagem astral para matá-lo, mas Mary não conseguiu pois uma imagem do Icrease está lá para impedir ela de concretizar isso. Increase vê o rapaz que deveria vigiar o prefeito colocando a poção novamente na boca do prefeito e enquanto discute com ele, o espírito familiar de Tituba que tem a forma de uma tarântula desce pelo teto entra na boca do prefeito e costura a garganta dele com uma teia de ouro para ele não falar. Increase vai direto a Mary tirar satisfação sobre quem deu a poção para o rapaz e leva Tituba sob acusação de bruxaria. 
   Eu assisti apenas esses episódios da primeira temporada. Nos próximos episódios Increase é morto pelo próprio filho enquanto enfrentava Mary em sua "forma astral" e a história segue sem ele (que pena era meu personagem favorito!) por isso nem me interessei em continuar assistindo.
   Por fim, foi bem trabalhoso pesquisar e reunir material para esse post, mas, fico satisfeito de poder compartilhar isso com os leitores do blog, é uma série bacana pelo menos partes dessa primeira temporada que vi e alguns elementos de ocultismo foram explicados aqui, qualquer dúvida ou recomendação de série, filme ou outra obra com temática de ocultismo que vocês desejam que seja analisado aqui no blog basta escrever nos comentários abaixo, espero que tenham gostado e até mais!      


   

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

RESENHA  DE  FILMES-3

   Olá a todos! Nesse post vou fazer a resenha do filme "Hipnose". Eu já havia feito uma resenha sobre esse filme no meu outro blog "realidadesalternativas7.blogspot.com.br" o título da postagem tá "RESENHA DE FILMES 10", porém, lá eu fiz uma resenha mais focada em narrar a história do filme, nessa resenha aqui desse blog vou destrinchar os elementos de ocultismo nos quais os produtores do filme se basearam. Esse é o poster dele:

   Dei uma nova pesquisada pela net a respeito do filme e descobri que ele ganhou alguns prêmios europeus na época, até que não é tão desconhecido assim. Aos interessados na história recomendo a postagem do meu outro blog, vamos direto as menções ao oculto então. 
   Logo no início do filme aparece uma maquete de uma igreja com diversos símbolos. São símbolos de planetas, de constelações zodiacais, alguns símbolos usados em alquimia, alguns típicos de ocultismo como pentagramas, selos de espíritos e etc, a ideia por trás desses símbolos é apenas ilustrar o ambiente ocultista da época em que o "vilão" do filme Francis Palatine viveu, símbolos que os ocultistas da época da Renascença na Europa conheciam bem. Um sujeito dobra essa maquete e fecha ela como uma mala, seria a maquete da igreja projetada pelo arquiteto Lipard Smith. Essa a cena:
   Quando o psicanalista Michael (na verdade ele não era psicanalista formado, apenas usava o registro do diploma da esposa, ele era um sujeito com habilidades mediúnicas e usava suas habilidades especificamente em tratamentos para tratar fumantes querendo largar o vício) é levado a menina que foi sequestrada logo nota a tatuagem de um pentagrama que foi feita pelos raptores no braço dela. Até aí nada de tão notável assim pentagramas estilizados podem ser usados para qualquer propósito dentro do ocultismo, nesse caso dentro do contexto da história Francis Palatine seja lá qual corpo esteja usando (Palatine é um mago que  mantém sua alma viva a séculos injetando seu sangue em seus "hospedeiros") ou um de seus assistentes tatua tais símbolos em suas vítimas apenas para ambientar elas com símbolos ocultistas de sua época durante o ritual para transferir seu sangue. Em outro ponto a policial mostra a Michael papéis com símbolos das tatuagens feitas em outras vítimas, nesse caso são símbolos de "selos de espíritos" também chamados de "assinaturas de espíritos" que foram usados na época da Renascença e na verdade são usados até hoje pelos ocultistas aqui no ocidente, qualquer ocultista que tenha alguma noção de magia cerimonial vai reconhecer tais símbolos facilmente:
   O selo de baixo é um selo de Gabriel anjo associado a lua no simbolismo do ocultismo ocidental, o de cima não sei identificar mas provavelmente também é um selo de um espírito associado a lua normalmente encontrado em alguns grimórios.  
   Quando a policial leva os papéis e inclusive muitos com diagramas complexos ao Eliot (o cara que mora embaixo onde passa o metrô e tem uma loja de miniaturas) ele responde a ela que os símbolos estão ligados ao hermetismo (pessoalmente não tenho intimidade com o hermetismo em si, mas, trata-se de ensinamentos relacionados ao personagem "Hermes Trimesgisto" que teria vivido em Alexandria ou Tebas no Egito antigo. Tais conhecimentos "herméticos" eram estudados pelos magos da renascença, na prática trata-se de conhecimentos relacionados a astrologia, alquimia e magia em geral. É possível encontrar conhecimentos relacionados a hermetismo no livro "Corpus Hermeticum" que teria sido escrito nos primeiros séculos d.C. no livro "Caibalion" escrito no século XIX e no pequeno texto da "Tábua Esmeralda" de época e autor desconhecidos mas atribuídos ao tal Hermes). Eliot também diz que encontrou nos papéis fragmentos de uma liturgia e a palavra que Michael lhe perguntou em um recado gravado em sua secretária eletrônica sobre a palavra "nistnesos" (talvez seja uma referência a uma palavra em latim mas no filme é dito que tal palavra foi inventada por Palatine) que significaria algo como o desejo da alma de se libertar. A referência a uma liturgia é porque Palatine escreveu ele mesmo um tipo de "liturgia" para ser recitada no ritual enquanto retira o sangue da vítima. Enquanto isso uns moleques invadem uma igreja abandonada e encontram sangue. Os símbolos foram desenhados na igreja para a "cerimônia" em que Palatine ou um de seus cúmplices retiravam sangue das vítimas. Em outro encontro em que se reúnem Michael a policial e Eliot, Eliot explica que Palatine foi queimado em uma fogueira a cerca de 500 anos atrás pela inquisição acusado de heresia e mostra na mesa um desenho dizendo que Palatine acreditava que a alma humana estava impregnada principalmente no sangue da parte de trás dos olhos, esse é o desenho:
   Esse desenho é uma ilustração de um livro de Robert Fludd (1574-1637) um médico da Inglaterra que tinha bastante interesse em ocultismo e costumava adaptar certas práticas de ocultismo em suas práticas médicas. Há referências que dizem que Fludd foi aceito na ordem Rosa Cruz na época da divulgação dos cartazes em Paris mas não se pode confirmar isso embora essa ilustração representando Robert Fludd mostre ele fazendo um gesto com a mão muito significativo:
   A policial pergunta a Eliot se existem muitos discípulos praticando as técnicas de Palatine, ele responde que não mas indica a ela um livro de Caterine Lebourg ou que perguntem diretamente a ela. Eliot vai até a igreja onde os policiais acharam os símbolos e a marca de sangue filmando e dizendo crer que tem a ver com os "assassinatos de tatuagem" e encontra um símbolo que ele diz que é a marca de Edward Liparc Smith, esse o símbolo:
   Nesse símbolo podemos ver uma cruz e uma rosa tipicamente relacionada a ordem Rosa Cruz e as iniciais de Liparc Smith o que significa que ele pertenceu a essa ordem. Um homem observa Eliot de longe, é um cúmplice de Lebourg que vai até a casa dele abre sua barriga e costura um rato dentro! Depois da morte de Eliot Michael e a policial resolvem ir até um tipo de asilo onde a Libourg está. Michael diz que está lendo um livro dela e pergunta sobre Francis Palatine ela responde com reverencia dizendo que ele foi um grande homem muito incompreendido. Depois Michael pergunta se existe algum seguidor ativo das ideias dele e ela responde que apenas metade da população do Vale do Silício. O "Vale do Silício" é uma região no estado norte americano da Califórnia onde estão concentradas empresas de alta tecnologia, ela respondeu isso provavelmente porque a Califórnia é um estado dos EUA famoso por ter pessoas de comportamento excêntrico que costumam gostar de seitas com características estranhas ou esotéricas. Então perguntam a Libourg sobre o arquiteto do século XIX Liparc Smith e ela responde que ele não foi um grande homem mas foi responsável pelo projeto de dez igrejas em Londres. Quando Michael pergunta a ela se Liparc foi um seguidor de Palatine ela diz em francês que está cansada e um enfermeiro a leva embora. 
   Em outra cena Michael está em um hotel observando um mapa com a marcação da localização das igrejas projetadas por Liparc e percebe que se fizer mais duas marcações e ligar os pontos formará um pentagrama. A policial vai a uma igreja onde não encontra nada suspeito e Michael vai a outra onde um cúmplice de Libourg o prende em uma mesa cheia de símbolos. Michael vê Libourg chegar perto dele e recitar parte da "liturgia" e se transformar em Francis Palatine no ambiente da Igreja (ele teve essa visão por causa de suas habilidades mediúnicas). O símbolo logo a baixo da mesa onde ele foi preso é um símbolo dos doze signos do zodíaco em volta de um círculo típico daqueles diagramas que os astrólogos usam para fazer mapas astrais veja:
      
   Palatine conversando com Michael diz que "enganou a morte" nove vezes, ou seja: transfundiu seu sangue impregnado com sua "essência" em nove pessoas até chegar aquela época e que reconheceu que ele Michael tem um dom mediúnico embora procure ocultar seu dom. O cúmplice de Libourg faz o ritual retirando o sangue dela do olho e transferindo para a menina. Michael se liberta e entra em luta contra o sujeito que morre enquanto a polícia chega e salva a todos. No fim todos pensam que Libourg (o corpo onde Palatine tinha colocado sua essência) morreu. É dito que o cúmplice de Libourg que também era enfermeiro era filho dela. Na cena final Michael passeia com suas filhas e a menina salva de ter sido presa pelo cúmplice de Libourg fica encarando a filhinha de Michael no carrinho de bebê fazendo o mesmo tique nervoso que Libourg/Palatine fazia com os dedos e um fio de sangue vazando dos olhos. A visão do sangue era apenas visível através da "visão mediúnica" de Michael mas dá a entender que o ritual foi completado com sucesso e a essência de Palatine colocada na menina.
   Concluindo, como se pode notar embora os significados ocultistas do filme pareçam superficiais eles são bastante consistentes e realmente possuem significado explicável além de levar a várias pesquisas para quem não conhece do assunto.   

sábado, 18 de novembro de 2017

DESMISTIFICANDO  O  DESENHO  "A  CAVERNA  DO  DRAGÃO"

   Olá pessoal! Nesse post eu vou explicar alguns conceitos que são pouco conhecidos ou simplesmente mal interpretados a respeito de um desenho que provavelmente marcou a infância de muita gente, o desenho "A Caverna do Dragão". Primeiro vamos aos detalhes técnicos da animação.
   "A Caverna do Dragão" chamado originalmente em inglês de "Dungeons & Dragons" (significa "masmorras e dragões" em inglês) é uma série de animação produzida pela Marvel, TSR e Toei Animation e exibido originalmente entre 1983 e 1985 pelo canal CBS. Os produtores se basearam no jogo de RPG chamado Dungeos & Dragons que fazia grande sucesso na época. Pra quem não está familiarizado com esse tipo de jogo chamado RPG (iniciais de "role playing game") é um tipo de jogo no qual os jogadores assumem a identidade de personagens e os interpretam. Um indivíduo tem a incumbência de ser o "game master" também chamado de "narrador" ou "mestre", esse sujeito irá definir os rumos da história e de cada personagem. Costuma ser jogado em um tabuleiro com pequenas estátuas representando os jogadores e o que vai acontecer é definido por uma jogada de dados (são usados no RPG além dos dados tradicionais de 6 faces, dados com 8, 10 ou mais faces). 
   Já circula pela internet afora a muitos anos um monte de especulações a respeito do desenho. De fato ele tinha um clima bastante sombrio e com muitas referências ao oculto mas não era um desenho "satânico" com mensagens subliliminares como muitos propagam por aí. Em essência havia sim um pano de fundo "gnóstico" (a quem não conhece recomendo pesquisar a respeito, a vertente gnóstica foi uma das primeiras interpretações filosóficas do cristianismo a se propagar nos primeiros anos após a "morte" de Jesus e foi muito popular na Ásia Menor região da atual Turquia). A história basicamente é sobre um grupo de seis jovens que em um domingo vão brincar em um parque de diversões em uma montanha russa chamada Dungeons & Dragons e acabam sendo transportados para um mundo estranho referido pelos personagens como "reino" e recebem armas especiais para sobreviverem lá. Enquanto buscam o caminho de volta para nosso mundo recebem orientações do "Mestre dos Magos" e tem de enfrentar vários perigos como o Vingador. Vou falar sobre os principais personagens e ao mesmo tempo dar a interpretação sobre qual parece ter sido a intenção dos produtores ao fazer eles daquele jeito:
   A abertura do desenho (que não costumava ser exibida aqui no Brasil) mostra os jovens no parque entrando no brinquedo do parque e depois sendo transportados para aquele mundo estranho o "reino" e ganhando roupas e armas magicamente dadas pelo Mestre dos Magos. O Mestre dos Magos obviamente pelo poder e conhecimento que tem foi baseado no "game master" o indivíduo responsável por dar as diretrizes nas partidas de RPG. Ele se comporta como um tipo de "deus" manipulando o destino dos jovens para seus próprios objetivos, dando conselhos obscuros e ambíguos (assim como os "oráculos" da antiguidade) mas também ajudando eles, esse é o Mestre dos Magos:
   Quando os jovens entram no brinquedo do parque o Mestre dos Magos observa o jeito de cada jovem e baseado nisso concede a roupa e arma para eles interpretaram um papel, por exemplo, observando a capacidade de liderança de Hank ele lhe deu o papel de "arqueiro" e um arco mágico cujas flechas assumem a textura que ele deseja se esticando como borracha, se mantendo comprida como corda e fazendo outras coisas incomuns para flechas normais. Na cultura da antiga Pérsia dava-se grande valor aos arqueiros que eram considerados como perpicazes pela boa mira, inclusive muitos reis persas foram retratados em pinturas e escultura como arqueiros. Esse é Hank:
   O Mestre dos Magos deu a Eric o papel de "cavaleiro" e um escudo mágico capaz de protegê-lo da maior parte dos ataques das coisas do "reino" e inclusive ampliar sua capacidade de defesa para uma área maior ao redor dele. Os simbologistas de plantão podem achar que devido ao comportamento arrogante e egoísta dele seu escudo representa sua covardia, entretanto é mais provável que tenha recebido o papel de "cavaleiro" porque era costume antigamente os homens de famílias nobres serem "cavalheiros" jurarem vassalagem a um senhor feudal, ganharem títulos de nobreza e se engajarem nas guerras, não que o Eric seja de uma família "nobre" de linhagem antiga (talvez seja) mas ele é de família rica motivo da arrogância dele. Eric:
   Sheila ganhou um capuz que a torna invisível quando ela o veste na cabeça. Não parece haver algo na personalidade dela que motive o Mestre dos Magos a ter dado essa "arma" a ela, mas, dentro do ocultismo técnicas para se tornar "invisível" costumam ser relacionadas a capas, ou neblinas. Sheila:
   Diana devido a suas habilidades atléticas ganhou o papel de "amazona" e um bastão que pode crescer ou diminuir á sua vontade lhe permitindo dar vazão a suas habilidades ou simplesmente usá-lo para derrubar os adversários. O nome "Diana" é o nome da deusa grega da lua e da caça notável pela força e habilidades. Diana:
    
 


      Bobby o irmão mais novo de Sheila ganhou o papel de "bárbaro" por causa de sua personalidade tempestuosa e como arma um "tacape" o mesmo que "clava" ou "maça" capaz de esmigalhar objetos sólidos e provocar abalos sísmicos. A ideia do tacape provavelmente foi dado a ele porque ele jogava baseball em nosso mundo. Vale esclarecer sobre a roupa dele que os "bárbaros vinkings" não usavam elmos com chifres, os arqueólogos sabem bem disso e acham graça das representações pitorescas de chapéus com chifres. Isso foi perpetuado no inconsciente das pessoas por causa das tirinhas de "Hagar o Horrível" criada nos anos 70 sobre um "viking" estereotipado onde o personagem Hagar usa um chapéu com chifres. Bobby:

   Presto ganhou o papel de "mago" e não tem "armas" combativas, mas, um chapéu de onde pode tirar praticamente qualquer coisa. A ideia de fazê-lo um "mago" é devido a ele gostar de realizar "truques" de magia na escola, não "magia" propriamente mas "ilusionismo" desses de David Copperfield e Mr. M. ele provavelmente gostava de comprar aqueles "kits de magia" de brinquedo que tinham objetos projetados para ludibriar as pessoas e cartas para fazer truques. A ideia de tirar coisas do chapéu veio do truque clássico dos ilusionistas de "tirar um coelho do chapéu". Ele até pode "orientar" mais ou menos o quê vai sair do chapéu com algumas palavras rimadas (o poder das palavras é altamente considerado em ocultismo tradicional e frases rimadas costumam dar "certos efeitos". O livro clássico da cabala "Sefêr Yetsirá" por exemplo dá grande importância ao poder das palavras) mas geralmente ele tira coisas do chapéu que provocam situações cômicas! Presto:
    O grande vilão da história que constantemente atrapalha os jovens quando eles tentam achar um "portal" para voltar a nosso mundo é o Vingador. O Vingador tem a aparência de um sujeito com asas de morcego e roupa com chifres, mas um dos chifres cortados. Os mais esclarecidos já devem ter percebido a tempos que ele representa o estereótipo de um "anjo caído" com essas asas de morcego, um "Lúcifer". Em certos episódios o Mestre dos Magos chama ele de "filho" como se ele fosse o anjo Lúcifer que transformou em demônio. Tanto o Vingador quanto o Mestre dos Magos em muitos pontos parecem representarem "Deus" pois tem muitos conhecimentos sobre o "reino" e manipulam os acontecimentos nele. Há um episódio denominado "O Portal do Amanhecer" quando os jovens abrem uma caixa despertam um tipo de "Deus" ainda mais poderoso, essa coisa de "um Deus acima de outro Deus" tem raízes na seita cristã gnóstica como eu havia mencionado no início. No mais, o Vingador se comporta como um verdadeiro mago possuindo grandes poderes e estando constantemente atrás de mais poder mágico como por exemplo das armas mágicas dos jovens para poder dominar o "reino". Ele também aparece ás vezes cavalgando um tipo de "cavalo demônio" que voa pelos ares. O conceito desse "cavalo demônio" provavelmente veio do mago Michael Scott sobre o qual eu falei no meu livro "O Sobrenatural Na Antiguidade" disponível em versão e-book no site www.clubedeautores.com.br esse Michael Scott (chamado de Miguel Escoto no livro " A Divina Comédia" de Dante Alighieri) de acordo com o que é contado sobre ele foi um mago de origem escocessa que estudou magia com os árabes e certa vez invocou um "cavalo demônio" de cor negra no lombo do qual atravessou voando o "canal da mancha" o espaço do mar que separa a Inglaterra do norte da França. O Vingador também tem um "demônio familiar" chamado Demônio das Sombras" que age como um tipo de informante ou espião trazendo informações para ele. O Vingador montado em seu "cavalo demônio" chamado de Pesadelo:
   Aqui o Vingador ao lado de seu informante o Demônio das Sombras:
   Uma das criaturas mais poderosas do "reino" que o Vingador teme é um dragão de cinco cabeças chamado Tiamat. Cada cabeça de Tiamat cospe um elemento diferente, uma cospe ácido, outra fumaça corrosiva, outra raios e etc. Pra quem não sabe "Tiamat" é o nome de um tipo de "deusa demônio" da mitologia suméria, ela teve um relacionamento com seu filho Kingu e gerou várias criaturas monstruosas para tentar derrotar os deuses regentes. A entidade da mitologia grega chamada Equidna se parece com ela. Tiamat:


   Muitas pessoas tem curiosidade a respeito do verdadeiro final do desenho, em saber se os jovens realmente conseguiram achar o portal para voltarem para nosso mundo e muitas teorias circulam na internet a respeito disso (algumas até dizem que os jovens na verdade morreram e foram parar no inferno que seria aquele "reino"! Ha ha ha!). O que temos de mais consistente a respeito disso é um roteiro que nunca virou episódio pois a série foi cancelada sem uma conclusão. Esse roteiro teria sido escrito por Michael Reeves. Nesse roteiro o Vingador e o Mestre dos Magos fazem um tipo de acordo e o Vingador diz que os jovens nunca encontrarão a "chave". Mestre dos Magos aceita o acordo. Após saírem de um grande perigo os jovens encontram o Vingador que diz que enviará eles para o nosso mundo se eles forem até um mausoléu e jogarem uma chave no abismo. O grupo sofre um "racha" e metade confia no Vingador outra metade não confia apesar de ambos seguirem em direção a esse mausoléu. Nesse mausoléu eles encontram um sarcófago com uma escultura que parece o Vingador mas sem asas e chifres. Dentro desse sarcófago eles encontram a tal chave e os dois grupos discutem se devem ou não jogar a chave no abismo. Eric resolve coloca-la em uma entrada na abóbada do mausoléu e ao fazer isso sai uma luz que atinge o Vingador que acaba se transformando em um nobre cavaleiro que diz ao Mestre dos Magos "-Pai eu voltei" como se Lúcifer voltasse a ser um anjo bom. Os jovens descobriram que o Mestre dos Magos não trouxe eles ao "reino" para combater o Vingador, mas sim para faz~e-lo voltar a ser bom. Depois disso o Mestre dos Magos abre um portal para o nosso mundo e os jovens voltam para cá. Esse seria o final escrito porém nunca transformado em episódio de desenho (me parece que fizeram uma história em quadrinhos com esse roteiro). Ao longo dos episódios da série existem várias referências que mostram que na verdade os jovens deveriam fazer o Vingador ficar "do bem" para poderem conseguirem voltar para nosso mundo e também episódios em que o Mestre dos Magos chama o Vingador de filho, mas, esse roteiro praticamente explica tudo.
   Concluindo, espero que esse post tenha explicado muitas dúvidas a respeito desse desenho. Até a próxima!


domingo, 12 de novembro de 2017

THERION  E  O  OCULTISMO

   Olá a todos! Nesse post vou falar sobre as características ocultistas da banda Therion. 
   Se tem uma banda que tá envolvida até o pescoço com ocultismo e mitologia essa banda é o Therion! É uma banda que eu gosto muito e acompanho já a muitos anos. Alguns podem estar se perguntando porque eu não falei sobre o Therion no meu outro blog realidadesalternativas7.blogspot.com, acontece que as letras das músicas do Therion são cheias de menções a ocultismo e mitologia e não seria muito adequado nem prudente ficar explicando esses assuntos assim de maneira tão vulgar. E se fosse pra comentar apenas o som e ignorar o profundo significado das letras não teria tanta graça. Por isso o espaço desse blog é o mais adequado. 
   Therion (significa "besta" em grego) é uma banda de metal sinfônico da Suécia formada em 1987 a princípio com o nome Blitzkrieg. O principal integrante e fundador é Christofer Johnsson vocalista, guitarrista e compositor. Ele é o único integrante que está na banda desde o início até hoje em dia, muitos músicos já passaram pelo Therion, a banda tem praticamente uma formação diferente a cada álbum lançado. O som da banda é sem dúvidas um metal sinfônico e dos bons! As músicas tem uma atmosfera grandiosa e com muitos elementos de orquestra, mulheres e homens contando no estilo soprano (típico de ópera) e claro muito peso de metal. Thomas Karlsson contribui para a banda como letrista. Esse personagem discreto é o fundador de uma ordem esotérica chamada Dragon Rouge fundada em 1989 o site da ordem é: dragonrouge.net. É uma sociedade considerada "da mão esquerda" o que não significa necessariamente que seja uma sociedade satanista, mas que explora os aspectos obscuros do esoterismo e busca o auto aperfeiçoamento pessoal, tem uma filosofia própria. Karlsson é um verdadeiro erudito no ramo do esoterismo, possui doutorado em história da religião, mestrado em história das ideias e leciona cursos universitários de esoterismo ocidental. Esse é Thomas Karlsson:
   O livro dele sobre as runas, as letras usadas pelos vikings:
   Outro livro dele em que fala sobre as matérias estudadas na Dragon Rouge como Goécia e Cabala:
   A Dragon Rouge possui um "sistema mágico" muito próprio. Nesse sistema o símbolo do dragão é altamente considerado e a cabala estudada e praticada por eles é uma cabala diferente, essa cabala explora o lado sombrio, negativo das séfiras. Já existem brasileiros que são membros da Dragon Rouge como o Adriano Camargo Monteiro cujos livros abordam sobre alguns conceitos da ordem e foram publicados pela editora Madras. 
   Vou citar aqui o significado de algumas menções a ocultismo nas músicas e álbuns do Therion:

-Um símbolo que representa a banda e aparece na capa de todos os álbuns é uma estrela de onze pontas, basta procurar que está lá discretamente, representa os "onze reis de Edom" ou "qliphods" entidades do caos destrutivo mencionados no livro Zohar:


-Um dos primeiros álbuns da banda se chama THELI que no livro Sefer Yetsirá significa um tipo de dragão na tradição judaica, referência a constelação de dragão que permanece estável enquanto outras constelações giram em torno dela.

-Um album deles se chama VOVIN que significa "dragão" na língua enoquiana trazida pelo ocultista da renascença Jonh Dee:
-A música "Wine of Aluqah" do álbum Vovin se refere ao sangue mesntrual e a magia sexual.

-A música "Arrow From The Sun" do álbum Lemuria se refere ao arco de Abaris sacerdote de Apolo.

-A capa do álbum Sitra Ahra já mostra de cara um diagrama da árvore da vida da cabala porém invertida, em primeiro plano está a séfira Tahumiel, equivalente a séfira Kether na árvore da vida tradicional. O "fruto" dessa séfira é "Sitra Ahra" representada por uma concha negra:
   
   Essas são apenas algumas explicações sobre referências a ocultismo e mitologia dos álbuns e músicas da banda, se fosse falar sobre todas não haveria espaço! Percebe-se em muitos deles a importância da tradição da cabala que eles conhecem muito bem. 
   Em 2014 o Therion comemorou 25 anos de banda e lançou um selo comemorativo:
   É uma das bandas que coloca a qualidade do som em primeiro lugar, acima de marketing, acima de modinhas e qualquer outra coisa, por isso seus álbuns são grandiosos, imponentes, ali está a "grande música". Aqui minha camisa oficial comemorativa dos 25 do Therion:
   Detalhe da gola interna da camisa, só pra exibir que é produto oficial mesmo! Ha ha!