sábado, 31 de março de 2018

MAOMÉ  E  O  ALCORÃO

   Nunca antes na história o islamismo esteve tão perto de nossa sociedade ocidental quanto nos dias atuais devido em grande parte ás notícias propagadas na mídia das barbaridades cometidas por "imigrantes" muçulmanos nos países europeus. Nossa sociedade ocidental (de maioria cristã) sempre permaneceu afastada do islã. Talvez um dos grandes eventos que chamou a atenção do mundo para o islamismo tenha sido o atentado de 11 de setembro de 2001 nas torres gêmeas em Nova York (atentado envolto em sinistros simbolismos e "coincidências" que os adeptos de teorias da conspiração gostam de explorar). A pouco tempo surgiu o grupo extremista "Estado Islãmico"também chamado de ISIS e Daesh (cujo surgimento também é envolto em "teorias conspiratórias") e diversos atentados nas capitais da Europa cometidos por indivíduos que simplesmente usam um carro ou outro veículo como arma atropelando as pessoas. Certamente quem se dá o trabalho de fazer uma pesquisa ainda que superficial na internet encontrará fatos chocantes a respeito do islã e a maneira como grupos étnicos religiosos não muçulmanos são tradados nos países de maioria muçulmana (em especial os cristãos que praticamente tem que pagar uma taxa para não serem perseguidos como se paga a uma máfia). É comum também encontrar fatos como atentados suicidas cometidos por muçulmanos contra outros muçulmanos afinal existem diversas seitas dentro do islã como sunismo e xiismo. Um traço característico do islã que causa muito espanto aos não muçulmanos é a entrega deles em atos suicidas alegando que o Alcorão justifica tais atos. Há muita coisa a respeito do islã que simplesmente é mal interpretada pelos não muçulmanos e também existem muitos elementos relacionados ao esoterismo/ocultismo no islã por isso vou fazer uma abordagem geral sobre esse assunto esclarecendo alguns pontos nesse post.

QUEM  FOI  MAOMÉ  E  COMO  ERA  A  ARÁBIA  NAQUELA  ÉPOCA

   Um dos pontos polêmicos discutidos pelos não muçulmanos é a respeito de quem foi Maomé e se foi ele mesmo quem criou o Alcorão. Em relação a Arábia da época de Maomé é bom esclarecer que não era uma nação unificada. Naquela época existiam diversas tribos que falavam a língua árabe castiça mas com costumes e crenças diversas. Haviam as tribos beduínas que eram comerciantes nômades, mas também haviam comunidades fixas. Haviam reinos comandados por judeus e reinos comandados por cristãos (a comunidade cristã da atual Síria é uma das mais antigas do mundo e surgiu pouco tempo após a morte de Cristo) e haviam reinos comandados por politeístas, a maioria dos árabes era politeísta e adoravam muitas divindades. As guerras entre esses diversos grupos eram constantes e faziam parte da rotina da população. Maomé (originalmente em árabe é chamado de "Muhamed") nasceu na cidade Meca ano 570 d.C de uma tribo chamada Koraich que vivia do comércio mas não era nômade, eles costumavam fazer duas viagens de comércio por ano á Síria e ao Iêmen sendo que o resto do ano permaneciam em suas residências fixas. Maomé ficou órfão de pais e foi criado pelo tio. Em 590 d.C. o tio de Maomé arranjou um casamento para ele com uma mulher que acabava de se tornar viúva chamada Khadija que tinha quase o dobro da idade dele, mas era muito rica. Dessa forma, Maomé herdou os bens dela e passou a se dedicar ao comércio como a maioria de sua tribo. Até cerca de 40 anos Maomé seguiu uma carreira bem sucedida nos negócios ele vivia da venda de peles de animais e frutas secas como uva passas e tãmaras além de possivelmente ter alguns animais de rebanho, mas, certamente não era rico para os padrões de seus contemporâneos. Embora fosse bom nos negócios, se manteve analfabeto a vida toda, ele nunca aprendeu a ler e escrever, jamais foi visto molhando uma pena na tinta para escrever nada com as próprias mãos. Nessa idade, como ocorre com muitos homens, ele sentiu necessidade de se isolar para refletir sobre a vida e passou a ficar longos períodos na pequena caverna de Hira próximo a sua casa. Em uma noite 610 d.C. durante o ramadã que já era um "mês sagrado" para os árabes antes do surgimento do islã, Maomé estava na caverna quando lhe apareceu uma entidade mostrando a ele um pergaminho e ordenado: "Leia!" Maomé respondeu que não sabia ler e a entidade agarrou-o fortemente pela nuca e após ordenar três vezes "Leia!" deu a ele o que iria se tornar os primeiros versos do capítulo 96 do Alcorão:
   "Lê, em nome de teu Senhor que te criou,
   Criou o homem de algo que se agarra. 
   Lê que teu Senhor é generosíssimo,
   Que ensinou pela pena,
   Ensinou ao homem o que ele não sabia."

   No dia seguinte, Maomé saiu correndo da caverna apavorado com essa experiência e contou o ocorrido a Khadija. Ela sujeriu que aquilo poderia ter sido uma revelação de um "anjo" mas ele mesmo permaneceu em dúvida, afinal poderia ter sido outras entidades como djinns ou demônios. Tal entidade apareceu para ele outras vezes após aquele dia, e depois de cerca de três anos, ele se sentiu preparado para se auto declarar como um "profeta" de Deus e passou a pregar a nova religião a princípio para sua própria família e amigos próximos de sua tribo e depois para outras pessoas. O Alcorão não foi escrito por ele ("Alcorão" vem de "al curam" que significa "a recitação" em árabe) é basicamente um livro oral concebido para ser memorizado e não escrito. Os capítulos passaram a serem revelados a ele depois daquela experiência aos poucos, até pouco antes de sua morte. Depois da experiência na caverna, Maomé desenvolveu habilidades mediúnicas e sua sensibilidade espiritual aumentou muito. Ele passou a ver várias entidades quase diariamente. O Alcorão era recitado a ele geralmente pela manhã, no fim da tarde ou á noite, ás vezes em sonhos. Ele entrava em transe nesses momentos e depois retinha o que se lembrava do que lhe era recitado e transmitia ás pessoas. Naturalmente muitos acusaram ele de ser uma fraude, o chamavam de louco, poeta (achavam que o Alcorão era um tipo de poesia) de mágico e de "possuído por djinn". Ele duvidou de si mesmo e em várias ocasiões tentou se suicidar sendo impedido por uma entidade que afirmava que ele era de fato um profeta com a missão de transmitir uma mensagem. Muitos defendem que a entidade que revelou a ele na caverna de Hira foi o anjo Gabriel, Maomé não afirmava isso mas em várias outras ocasiões dizia que o anjo Gabriel (chamado "Jibril" na tradição árabe) lhe prestava orientação. Muitos doutores, teólogos muçulmanos discutem sobre isso até hoje, quanto a identidade da entidade da caverna não há consenso mas quanto a assistência de Gabriel em várias ocasiões a maioria concorda. Em 627 d.C foi formado um grupo composto por cerca de dez mil homens, judeus, politeístas e até membros da própria tribo de Maomé para matá-lo e a seus seguidores. Maomé dispunha de cerca de três mil homens porém bem motivados e assim venceu essa e muitas outras batalhas. Antes de morrer, Maomé se certificou que seus seguidores mais próximos saberiam recitar o Alcorão completo de cor (tarefa que leva vários dias devido a seu tamanho). Maomé não teve filhos, mas filhas, e essas filhas lhe deram netos, mas ele não estabeleceu um sucessor direto, por isso as disputas pela autoridade começaram assim que ele morreu. Abu Bakr, seu sogro se assumiu o sucessor e temendo que o Alcorão se perdesse encarregou Zaid Ibn Thabet de reunir os textos. Osman, o terceiro líder, mandou organizar o Alcorão definitivo semelhante a esse que está disponível em várias traduções hoje em dia. Cada capítulo é chamado de "sura" e o Alcorão completo é composto de 114 suras. 

FORMA  EXTERNA  DO  ISLà E  ASSIMILAÇÃO  DO  POLITEÍSMO  DA  ÉPOCA

   Em muitos aspectos, o islã é na verdade uma adaptação de costumes comuns dos politeístas da época de Maomé. Com relação ao nome de Deus em árabe "Allá" a wikipédia alude que sua origem vem do termo em língua semita "El" que significa "Deus". Muitos pesquisadores, entretanto, afirmam que Allá na verdade era o nome de uma entidade do culto politeísta árabe, o "deus da lua" razão da lua crescente ser um símbolo tradicional no islamismo. Outra relação entre o islã e a lua como símbolo é o antigo calendário árabe que é lunar. Muitos povos da antiguidade tinham calendários lunares como o calendário tradicional do judaísmo (que conta a era atual em mais de cinco mil anos) e o calendário chinês antigo, repare que o "ano novo chinês" nunca coincide com a virada do ano no calendário solar tradicional usado aqui no ocidente. Dentre as muitas divindades cultuadas pelos árabes politeístas do tempo de Maomé estavam três deusas chamadas Uzza, Al-Zurrara e Al-Lat além de Manath. Uzza (significa "a poderosa") era considerada a filha do deus supremo, Al-Zurrara (considerada a deusa do amor e da beleza) era considerada irmã de Uzza, Al-Lat era considerada a "deusa mãe" e Manath era considerada a deusa do destino. Uma ilustração de como essas deusas deveriam ser retratadas pelos politeístas na época:

   O centro de culto dessas deusas era em Meca e especificamente em torno da pedra negra de Caaba. Quando os seguidores de Maomé se tornaram mais numerosos, o centro de culto dessas deusas foi tomado á força dos politeístas e transformado no centro de culto de Allá que continua sendo até hoje. Muitos especulam a origem da "pedra negra" acredita-se que seja um meteoro que a muitos anos atrás caiu na região e se tornou centro de culto. Depois dos seguidores de Maomé tomarem o local, construíram uma mesquita próximo dali e em torno da pedra negra fizeram uma construção em forma de cubo. Na tradição muçulmana, todo adepto que tiver dinheiro suficiente deve fazer a "haaj" (peregrinação) ao menos uma vez na vida e dar sete voltas em torno dessa pedra. Veja foto dela:
   A pedra em si é pequena e foi envolta em uma estrutura de prata, repare nela atrás desses guardas da foto: 
  
   Não apenas esse costume foi copiado dos cultos pagãos, vários outros também foram, mas, de um modo geral, essa pedra se tornou o centro do islã a nova religião fundada por Maomé. Naquela época, alguns árabes costumavam se voltar para a direção de Jerusalém para fazerem suas orações, com o surgimento do islã a direção de oração (quibla) passou a ser a direção da pedra de Caaba. 

BRUTALIDADES  DA  ÉPOCA  DE  MAOMÉ
   
   Como eu já disse, na época de Maomé as guerras eram constantes. Pode-se afirmar sem dúvidas que após a revelação na caverna de Hira e o crescimento dos adeptos, Maomé deixou de ser apenas um comerciante para ser um líder militar e liderou pessoalmente muitas batalhas contra várias comunidades da Arábia, comunidades cristãs, comunidades judaicas e comunidades politeístas. Naquela época meados de 600 d.C. era considerado um direito legítimo os combatentes vencedores escravizarem os vencidos, suas esposas parentes e filhos e tomarem seus bens. Inclusive era considerado legítimo estuprar as mulheres dos derrotados, certamente Maomé e seus seguidores assim o fizeram. No Alcorão há instruções relativas a como lhe dar com os escravos e a escravidão era comum na época. O próprio Maomé embora não fosse rico tinha alguns escravos. Recentemente foi noticiado que na guerra da Síria mães matavam suas filhas e se suicidavam para evitarem de serem estupradas pelos soldados. A escravidão é um dos muitos aspectos do islã totalmente anacrônicos que deveriam ter sido abolidos, mas, de um modo geral, exceto pelas comodidades da tecnologia e ciência atuais as comunidades muçulmanas continuam vivendo como a 1400 anos atrás! A atitude de seguir o Alcorão á risca sem ponderar suas instruções e o contexto da época em que foi revelado simplesmente congelou os muçulmanos no tempo. Quanto aos atos suicidas, as instruções encontradas no Alcorão eram dirigidas principalmente aos primeiros adeptos que aderiram ao islã no início. As primeiras batalhas eram de sobrevivência contra os exércitos coligados compostos por judeus e politeístas que estavam determinados a exterminar Maomé qualquer de seus seguidores. Quando convocados á batalha, muitos que se diziam seus seguidores davam desculpas para não batalhar é a esses que o Alcorão se dirigia com a promessa de um "paraíso" caso morressem pela causa do islã. Judeus e cristãos geralmente são chamados no Alcorão de "povo do livro" e "adeptos do livro" e é dito que os que merecerem entre eles serão bem recompensados na vida após a morte. As ameaças do Alcorão geralmente eram dirigidas aos politeístas da época e especialmente contra eles que o Alcorão incitava lutar como se fosse uma "jihad" (guerra santa). 

MORTE  DE  MAOMÉ

   Certamente Maomé cometeu muitos crimes em sua trajetória militante para estabelecer o islã no ambiente de sua época. Ele também sofria de uma obsessão desmedida por sexo semelhante ao rei Salomão (lembremos que na narrativa bíblica é dito que Salomão teve cerca de mil esposas entre escravas e filhas de outros reis. Algumas o levaram a adorar seus deuses estrangeiros, um dos motivos da ruína de seu reino antes unido em torno de si, respeitado pelos estrangeiros e próspero) inclusive tanto Salomão quanto Maomé morreram com cerca de sessenta anos. Quanto a Aisha, a esposa mais nova de Maomé com a qual ele teve relações  quando ela tinha cerca de nove anos e ele cerca de cinquenta, as narrativas da época dizem que naquele momento ele desejava tomar uma nova esposa e sua tia lhe recomendou Aisha ou uma outra que tinha se tornado viúva recentemente. Casamentos arranjados eram muito comuns na antiguidade, e, Aisha na verdade já estava prometida por seus pais a um filho de cristãos, mas, como Maomé tomou a frente ela foi concedida a ele e ele não aguardou ela se tornar maior de idade para ter relações com ela. Talvez tenha sido a única esposa que ele tomou virgem já que as outras ou eram escravas compradas, escravas tomadas de guerras, viúvas ou separadas. Naquela época bastava que o homem pudesse ter o suficiente para prover comida, casa e roupas para se casar, e, mesmo que Maomé não fosse rico, ele de fato acumulou várias esposas não se sabe exatamente quantas. Outro episódio que evidencia a obsessão de Maomé é quando ele viu sem querer Zaynab, esposa de seu filho adotivo Zayd nua. A princípio Maomé teve receio de pedir para seu filho adotivo que se separasse dela, mas, como revelado na sura 33 versículo 37 do Alcorão, é dito que os filhos adotivos não são considerados o mesmo que filhos biológicos e portanto as esposas deles podem se casar com o pai adotivo considerado sogro caso ambas as partes concordem. Isso não quer dizer que tal relação deva ser vista como natural, em qualquer cultura mesmo a da época dele, se casar com a nora ainda que esposa de um filho adotivo é algo pouco comum e pouco aceitável. Muitos episódios bem registrados pelos historiadores árabes narram sobre Maomé tomando como esposa a filha ou esposa dos adversários que ele e seu exército combateram e mataram, frequentemente no mesmo dia. Significa que as mulheres ou moças sequer tinham tempo de velar pelo cadáver de seus pais, irmãos ou esposos pois o homem responsável pela morte deles acabava de tomar elas como sua "presa" legítima adquirida através da guerra. Uma narrativa fala sobre uma dessas moças entrando na tenda de Maomé e chorando e arrancando os cabelos sobre o corpo do esposo morto ou irmão e naquela mesma noite sendo maquiada, perfumada e vestida pelas mulheres da família dele para consumar o casamento com ele! Se Maomé não tinha auto controle, evidentemente ele também devia achar que as mulheres eram pouco melhores que animais sem consciência pelo que seus atos mostram. Além disso, embora a promessa de várias "húris" esposas virgens para os adeptos que morrerem e tiverem merecido na outra vida seja um atrativo dessa religião, na prática não faz muita diferença pois tanto Maomé em sua época quanto alguns adeptos de hoje em dia simplesmente acumulam várias esposas aqui mesmo nessa vida material. 
   Mas, como o próprio Alcorão afirma, cada alma terá de comparecer perante a Deus e terá de prestar contas de todos seus atos praticados em vida sem que possa recorrer a qualquer outra entidade para lhe prestar auxílio além de Deus mesmo. E a prestação de contas de Maomé começou ainda nessa vida material. Após uma batalha contra uma comunidade judaica em Khaibar, uma judia ofereceu a Maomé e seus seguidores no jantar um cordeiro assado (outras fontes dizem que foi uma cabra) com veneno. Maomé comeu e após dar a primeira mordida, cuspiu e disse "-Detenham suas mãos! Verdadeiramente a perna do cordeiro me disse que está envenenada!". Após isso, Maomé passou seus últimos três anos de vida sofrendo uma terrível dor no peito e dizia que sua aorta (principal artéria do coração) havia sido cortada. Perguntaram a ele se a cozinheira deveria ser morta, ele respondeu que não e chamou-a e perguntou a ela porque ela tinha feito aquilo. Ela respondeu que se ele fosse verdadeiramente um profeta, Deus o teria advertido e evitado que ele se envenenasse. E caso esse não fosse um profeta de verdade todos se veriam livres dele. No próprio Alcorão é dito que caso Maomé tivesse inventado alguma coisa não oficial do Alcorão ele teria sua aorta cortada como punição, veja o capítulo 69 versículos 44 a 47:
   "Se este mensageiro nos tivesse atribuído dizeres inventados,
   Tê-lo-íamos apanhado pela mão direita,
   E ter-lhe-íamos cortado a aorta.
   E nenhum de vós teria podido impedir-nos." 

   Quanto a revelação do Alcorão que Maomé teria inventado de sua própria cabeça, essa é conhecida como "versículos satânicos". Quando Maomé estava em Meca, ele desejava muito que sua tribo Kuraich se convertesse totalmente ao islã, porém muitos ainda se apegavam a adoração ás deusas já citadas. Então foi revelado a ele a sura 53 e no versículos 19, 20 e 21 ele disse ao recitar para os de sua tribo:
   "Vocês tem refletido sobre Al-Lat, Al-Uzza,
   E Manath a terceira?
   Essas são exaltadas e a intercessão através delas é permitida".

   Os membros de sua tribo ficaram satisfeitos de terem ouvido que era permitido adorar as deusas as quais eles já estavam acostumados a adorar. Porém, a revelação original era da seguinte forma:
   "Acaso vistes Al-Lat, Al-Uzza,
   E Manath a terceira entre elas?
   Porventura os machos pertencerão a vós e as fêmeas a Deus?"

   Esse último versículo é uma referência ao desejo que a maioria dos homens da época de Maomé tinha de ter filhos enquanto afirmava que Deus tinha filhas como as deusas adoradas pelos politeístas. A tradição afirma que Gabriel repreendeu Maomé por ter feito essa distorção na revelação original e esse é um dos motivos de seu castigo ter o atingido ainda em vida, vindo ele a morrer agonizando com dores no peito por três anos por ter sido envenenado por uma mulher e sem ter estabelecido quem seria seu sucessor, as disputas pelo poder começaram assim que ele morreu e até hoje há divisões de seitas. Em relação ao envenenamento de Maomé, esse foi um teste no qual ele não passou. Para citar alguns exemplos, no livro Atos dos Apóstolos é dito que após um naufrágio na ilha de Malta, enquanto Paulo estava recolhendo lenha para fogueira na praia surgiu uma serpente e o picou, mas, Paulo simplesmente balançou a cobra no fogo. Os habitantes da ilha vendo aquilo pensaram que ele viria a morrer, mas, nada aconteceu com ele. Certa vez, adversários invejosos levaram a São Bento de Núrsia um pão envenenado, ele entregou o pão a um corvo que o levou para longe. Foi oferecida comida envenenada a Santo Antônio e ele fez o sinal da cruz sobre o alimento e comeu sem sofrer dano algum. Todos esses citados nada sofreram devido a veneno, mas, Maomé falhou nesse ponto como médium. 

CONSIDERAÇÕES  FINAIS

   Resumindo, deve-se considerar que as revelações do Alcorão são uma farsa inventada por Maomé? Não. O que se deve levar em conta é que originalmente as revelações do Alcorão foram concebidas para serem um livro oral, feito para ser memorizado. Apenas algumas gerações depois da morte de Maomé os líderes muçulmanos indicaram eruditos letrados para reunirem as recitações e escreverem. Houve manipulação na versão final que chegou a nós hoje em dia? Talvez sim em alguns pontos. Mas o básico está lá. Além de Maomé ter morrido analfabeto, ele jamais teria conhecimento, erudição suficiente para abordar em um livro narrativas muitas vezes complementares ás feitas na Torá/Bíblia sobre personagens como os patriarcas Abraão, Moisés e Salomão e mesmo a respeito da infância de Jesus. O Alcorão foi revelado á ele aos poucos, e não de uma vez só. É possível graças aos historiadores saber onde as suras foram reveladas a ele e em que circunstâncias, é importante saber o contexto. Repare que as suras eram reveladas e em seguida ocorriam certos eventos. Na sura seguinte que era revelada, geralmente era feito um comentário sobre o que já ocorreu e qual deve ser a atitude correta dos adeptos diante de tais circunstâncias. Além disso, repare que muitas vezes a recitação do Alcorão diz "nós", "nós fizemos isso", "nós fizemos aquilo", "diga isso", "diga aquilo", "não estavas lá quando aconteceu isso ou aquilo". Certamente eram várias entidades que revelaram a ele as suras embora em certas partes o enunciado é em primeira pessoa. Muito das orientações do Alcorão não tem nenhuma aplicação nos dias atuais embora fizessem sentido no contexto da época em que foi revelado, há uma necessidade de se interpretar de modo racional a mensagem ao invés de seguir ao pé da letra. Muitos pontos obscuros do Alcorão merecem serem esclarecidos e já a mais de um ano eu venho estudando e comparando duas edições, reescrevendo e fazendo comentários de rodapé a respeito das partes mais obscuras, tem sido muito trabalhoso, mas, necessário e eu considero esse o meu livro mais importante que pretendo publicar no futuro.  


     

Nenhum comentário:

Postar um comentário